Arquivos Mensais: julho \22\UTC 2017

NAS com OpenMediaVault e OrangePi Plus 2e

Para quem não sabe, a plaquinha RaspberryPi cresceu, apareceu, deu cria e gerou uma legião de cópias. Não vou entrar no mérito se são melhores ou piores, pois cada uma tem seu propósito ao meu ver.

Uma dessas cópias é a OrangePi. São 14 modelos, cada uma com sua especificidade, desde às mais básicas até as mais avançadas, cada uma tem uma característica própria.

Eu acabei escolhendo a OrangePi Plus 2e, e os motivos eu conto à seguir.

Tinha aqui em casa, após fazer um upgrade no NAS “de verdade” (um D-Link, DNS-320L), dois HDs de 1TB, os primeiros que saíram para notebooks. Num primeiro momento pensei em usá-los como HDs externos, mas havia um problema:  esses HDs são um pouco maiores, com 12,5mm de espessura, e os cases são feitos para os HDs normais, de 9mm. Após buscar na internet, achei que não valeria a pena usá-los desse modo. O que fazer com eles então? Tive a ideia de um NAS, utilizando o RaspberryPi, que é uma placa que já estou habituado a mais de 4 anos (adquiri a primeira em 2013, a segunda em 2014, a terceira em 2015), então fui procurar uma na AliExpress, onde havia achado com o menor preço. Eis que nos anúncios relacionados apareceu uma tal de OrangePi, praticamente a mesma configuração, mas $15 mais barata. Cliquei e quase comprei aquela mesma, mas antes, olhai do lado aquela lista de itens do mesmo vendedor. Haviam vários modelos, uma pra IoT, outra com porta SATA, uma sem HDMI, estava difícil decidir. Eu tenho dois HDs, então aquela com porta SATA não me serviria, aquela sem HDMI parecia bacana, tinha até um módulo NAS, mas as velocidades não eram boas.
Até que encontrei a placa “perfeita”, uma OrangePi Plus 2e.

Com um processador Allwinner H3, 2GB de RAM, 16GB de eMMC e slot para MicroSD, essa placa ainda conta com wireless integrado, ethernet gigabit e três ports USB 2.0, o que pra mim já estava muito bom. Essa placa ainda tem mais recusros, que você pode ver no site da própria OrangePi Plus 2e, mas como o objetivo aqui é outro, fica para um próximo post.

Comprei a placa, e depois disso típico ritual de quem compra em qualquer loja de bugigangas da China: paciência, muita espera, e a torcida para que  da Receita Federal não tributar e ainda ter que ir buscar na Agência dos Correios. Chegando, fui conferir se ela estava inteira, aliás, veio muito bem embalada.

O eMMC da plaquinha vem carregado com uma versão do Android 4.4 que demora carregar, de-mo-ra, e demora MUITO. Usei mesmo só pra testar o funcionamento.

Ainda quando pensava em usar o RPi, pesquisei sobre o OpenMediaVault. É um SO baseado em Linux, Debian pra ser mais específico, usado justamente para montar um NAS em PCs antigos. Eis aqui a beleza do Linux: com conhecimento você pode portar para qualquer computador. Claro, já haviam portado para o RPi, mas e o OrangePi, como estava? Mal, essa é a resposta, a versão disponível para download era desatualizava e não funcionava direito, travando constantemente. Nesse momento, quase instalei o Armbian (o Debian que roda muito bem no OPi) e iria configurar tudo manualmente. Porém, antes, resolvi pesquisar no fórum do Armbian e achei esse post, ensinando a compilar sua própria versão do OMV para sua placa, além de comparativos de desempenho. O post caiu como uma luva, segui as instruções e gerei minha própria imagem (disponível aqui), em seguida foi a vez de gravar a imagem no cartão de memória. Como uso o Linux Mint, utilizei o comando dd, mas também dá pra usar o Etcher, que é compatível com qualquer sistema. Com o sistema no cartão, é hora de inseri-lo na placa. Cabe ressaltar aqui que o OPi em questão tem entrada DC de 5V e 2,5A, é muito importante observar isso para que não hajam problemas futuros.

Se for possível, é bom ter teclado, mouse e monitor conectados nesse momento. O primeiro boot demora um pouco, é importante salientar pois em um primeiro momento, a tela de login do Armbian será apresentada, mas, logo em seguida, a instalação do OMV será concluída e essa será a tela de login definitiva daqui pra frente. Antes dessa tela inclusive, aparecerá o endereço do OMV na sua rede, anote e digite no navegador. Se não for possível, consulte a página de DHCP no seu modem/roteador e procure por lá, ou simplesmente digite http://openmediavault na sua barra de endereço.

Captura de tela em 2017-07-22 14-37-37

O login e senha padrão são admin e openmediavault, respectivamente, lembre-se de escolher o idioma da interface (Português está disponível). A interface do OMV é bem intuitiva e autoexplicativa, com instruções bem claras e simples em sua maioria, tornando-o muito fácil de configurar e usar, apenas recomendo mudar a senha de administrador por motivos de segurança.

Feita a configuração inicial, pluguei os HDs, cada um com um adaptador SATA/USB. Surgiu o primeiro problema grave: a placa reiniciou. Analisando, percebi que a fonte de 5V e 3A que utilizei aguenta muito bem a placa e apenas um HD, mas não foi o suficiente para suportar os dois. A solução foi utilizar um hub USB alimentado para suportar os dois HDs sem utilizar a fonte da placa, problema resolvido.

É importante salientar que o OMV trabalha com HDs já formatados, mas você também pode formatá-los utilizando o sistema. Como eu já tinha dados nos HDs, optei por não fazê-lo. Para reconhecê-los apos plugados, na interface de gerenciamento, vá em Armazenamento, Discos Físicos e clique no botão “Pesquisar”.Captura de tela em 2017-07-22 14-56-44

Seu HD deve aparecer ali. Em seguida, ainda em Armazenamento, vá em Sistemas de Ficheiros (eu falei que era em Português de Portugal?), escolha a partição que deseja montar e clique em “Montar”, se for mais de uma, repita o processo.Captura de tela em 2017-07-22 14-56-55Agora é hora de compartilhar o conteúdo. Na seção Serviços você pode escolher como e o que compartilhar, o OMV trabalha com SMB/CIFS, compatível com Windows, além de NFS, rsync, e FTP. Clique em SMB/CIFS e em seguida em Partilhas, adicione os compartilhamentos, lembrando sempre de apontar para as pastas corretas no HD e em seguida configurar corretamente as permissões. Captura de tela em 2017-07-22 15-03-47Captura de tela em 2017-07-22 15-04-17Salve as configurações, conforme a interface solicitar e por último, reinicie o sistema.Captura de tela em 2017-07-22 15-06-16

Se tudo deu certo, procure pelo compartilhamento na rede e comece a usar.Captura de tela em 2017-07-22 15-08-56E assim dei utilidade a dois HDs sem uso e aprendi a trabalhar com o OrangePi.

Nos próximos posts ensinarei a utilizar os add-ons do OMV, como o download de torrents. Até logo!

Dúvidas? Sugestões? Deixe nos comentários.